A origem da Felicidade Interna Bruta

Um novo paradigma socioeconômico

Como já falei por aqui, meu primeiro contato com a Felicidade Interna Bruta foi em 2008. Mas, o termo em si tem mais de 40 anos, e foi criado pelo 4º Rei do Butão, em 1979. Mas como um país minúsculo das montanhas do Himalaia – entre Índia, Nepal e China – pobre, agrícola e essencialmente budista, criou a proposta de um novo paradigma socioeconômico?

Tudo começou quando Jigme Singye Wangchuck, o 4º Rei do Butão, foi questionado por um jornalista sobre o PIB de seu país (que era e continua sendo um dos menores do mundo). Ele então respondeu que, para ele, o que mais importava não era o Produto Interno Bruto mas, a Felicidade Interna Bruta do seu povo.

Quando seu filho, o 5º Rei, assumiu, ele começou a implementar a ideia lançada ao acaso pelo pai. Em 2008, foi instituído na nova Constituição do Butão, o artigo 9, que dizia que o Estado deveria promover todas as condições para o alcance da Felicidade Interna Bruta.

A proposta chamou atenção da Organização das Nações Unidas – ONU. O Butão recebeu verba para contratação de 28 cientistas, entre eles Martin Seligman, fundador da Psicologia Positiva, para desenvolver a metodologia FIB como uma política pública de gestão no país. Desde então, uma pesquisa é aplicada a cada cinco anos na população para medir as condições para a felicidade e então orientar as ações governamentais.

Atenção aqui à palavra “condições”: FIB não mede a Felicidade, mas as condições para a Felicidade. Pois é assim que se pode pensar em agir por meio de ações concretas. Não é fazer as pessoas felizes, é proporcionar condições para. Uma diferença fundamental.

Em 2012, a ONU, em Assembleia Geral, colocou a Felicidade na agenda Global com a Resolução 65/309, que reconhece que “…o PIB não reflete adequadamente a felicidade e o bem-estar das pessoas”. Como bem explica a professora Carla Furtado, referência no estudo da Felicidade e no sistema FIB:

“O FIB engloba filosofia, modelo de gestão e índice. Como filosofia está apoiado em valores tangíveis e intangíveis, não se opondo ao PIB, mas à ideia de que a busca pela prosperidade seja o objetivo único do Estado. Defende que o desenvolvimento sustentável deve adotar uma abordagem holística em relação às noções de progresso e dar igual importância aos aspectos não econômicos, como o bem-estar da população e a preservação do meio ambiente.” (Furtado, C. A. 2019)

No mesmo ano de 2012, a ONU instituiu o Dia Mundial da Felicidade, 20 de março, dando ainda mais visibilidade ao tema e colocando o assunto na pauta mundial. E, talvez, você se pergunte, será possível replicar mundialmente um modelo de um país com uma população de cerca de 800 mil pessoas (menor que muitas capitais brasileiras)?

Na prática, não é tão simples, os contrastes culturais são imensos. Mas, fazendo referência a um termo muito difundido aqui no Círculo, eu chamaria o Butão de uma bolha de Nova Terra. Um país que teve a coragem de mostrar sua essência ao mundo, mesmo sabendo que esse mundo não congrega seus valores e tradições. Trouxe para a sociedade do cansaço um bálsamo e o impulso para pensarmos em novas soluções para uma Nova Terra.

Para entender um pouco sobre os valores e tradições do Butão, recomendo assistir esse TED Talks, de 2016, do primeiro-ministro, Tshering Tobgay, em que ele compartilha a missão de seu país de colocar a felicidade à frente do crescimento econômico. Dá pra sentir um pouquinho dessa fagulha de esperança.

E, para finalizar esse artigo, mas não a série, pergunto:
Qual seria a sua definição de Felicidade hoje?

A dica é que, apesar dos construtos científicos, que são a bússola para estudos mais profundos e trabalhos acadêmicos ou corporativos, não há certo ou errado. Pense no presente, hoje, o que faz sentido e te traz sensação de propósito? Não estou falando em criar uma ONG ou matar a fome de milhões. Talvez seja apenas brincar de lego com seu filho. É uma excelente definição de felicidade nesse instante.

A minha, Grazieli Gotardo, HOJE é: “Estar no presente e ser uma eterna aprendiz da vida.”

No próximo texto seguiremos essa trilha…

Até mais!
Grazi Gotardo


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3 respostas

  1. Eu amei o texto e me emocionei com a palestra. Já fazia algum tempo que eu gostaria de saber mais sobre o Butão e acho que seria muito válido aprender mais com eles. Parabéns por compartilhar.

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