Insistimos em contrariar a natureza

por Juliano Pozati

Somos seres multidimensionais! Nossa consciência é metafísica e sua manifestação se estende para além do funcionamento físico do nosso cérebro local. Muitas vezes, a vida material e a hiperatividade do cotidiano nos distraem de nossa própria natureza. Ficamos totalmente focados em uma única dimensão da nossa existência: a realidade física, material, imediata e racional.

Se isso não bastasse, adotamos o espetáculo externo como medida de nossas próprias qualidades, nos comparamos aos nossos mentores e influencers prediletos e seu estilo de vida se torna um torturante referencial de sucesso para nós. Nos vestimos como eles, agimos, investimos e nos comportamos dentro dos papéis que nos são propostos incessantemente em todas as telinhas que nos distraem da vida de verdade.

O caminho mais rápido para a infelicidade é a comparação com o outro. Sêneca dizia que um ser humano feliz é alguém em harmonia com a sua própria natureza.

Pássaros voam pelo ar, mas se alimentam na terra, dormem nas árvores, fazem seus ninhos em torres de igreja, árvores e postes elétricos. Sua natureza desfruta da dimensão aérea e terrestre, por assim dizer. Somos seres espirituais vivendo experiências materiais. O próprio ciclo do sono, do dia e da noite, nos lembram que, tanto quanto atuamos no mundo exterior, precisamos também nos recolher para o nosso mundo interior. Se ignoramos nossa dimensão metafísica, transformamos a realidade física numa triste gaiola. Nos vemos limitados em nossa natureza, que adoece e sofre com as amarras de decisões limitadas que sempre tem consequências. 

Rubem Alves dizia que “Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros.” Parafraseando Rubem: A filosofia desamarra as asas que estão em você; o vôo para a liberdade é mera consequência.

Uma resposta

  1. Leio este texto numa fase da Vida em que, sendo vice-presidente, me vi obrigada à responsabilidade de substituir o presidente de uma Sociedade Filarmónica. Estou na direção há 17 anos, mas desde 2011 (ano em que nasceu o primeiro neto, tenho três) estava muito desatenta ao que se passava. Deparei-me com dívidas provenientes de aquisições inoportunas e muitos desentendimentos entre colegas que também desconheciam as compras em causa. Com as aprendizagens que me têm sido proporcionadas intervenho no sentido de estabelecer harmonia. Mas a maior parte dos colegas estão na sintonia do conflito e dos mal-entendidos. A cultura ainda não é considerada importante nesta sociedade. A banda filarmónica, que deu origem à fundação, está em risco. O meu suporte é a aprendizagem que me tem sido proporcionada pela Doutrina Espírita – Ciência, Filosofia e Religião. Chego a pensar que me comprometi como missão passar por esta experiência. Bem hajam pelo vosso exaustivo trabalho

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