A tentação de Jesus no deserto

Yeshua

A jornada de Jesus na Terra possui diversas passagens reveladoras e grandes ensinamentos. Quando falamos em sua iniciação espiritual, um episódio marcante é a peregrinação no deserto, que está repleta de símbolos. Para entendermos melhor esta passagem, é preciso contextualizar que, após ser batizado por João Batista, sua visão espiritual se abre e sua consciência está integrada à consciência do Cristo planetário. 

A partir deste momento, Yeshua é capaz de enxergar fisicamente para além da ilusão da matéria. A matéria, tangível, como a conhecemos, é uma ilusão que visa estabelecer esse programa de exercício da individualidade, que é a encarnação. Fazendo um paralelo com a modernidade, essa ilusão é descortinada quando os cientistas humanos começam a ampliar o átomo e descobrem nele não uma uma partícula ínfima e sólida, mas apenas energia condensada. 

No deserto, Jesus já está em posse de sua grande visão espiritual e vai para um processo de teste. Esse momento é descrito de forma muito similar nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas. Quando eles falam em “demônio”, significa a representação da grande ilusão. E é o Espírito, com E maiúsculo, que vai levá-lo para ter uma experiência de polaridade no deserto. Jesus já está cheio da vibração de OM, mas seu objetivo é viver e superar a grande ilusão, para consolidar sua visão espiritual, daquele que transcende a miragem da matéria.

No deserto, Jesus passa por três tentações. Vamos olhar melhor para elas a partir da descrição do apóstolo Mateus:

  • Tentação 1 – (Quem SOU) – Põe em dúvida a natureza do Ser espiritual através da ilusão da necessidade física.

“O tentador aproximou-se dele e lhe disse: “Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães”.  Jesus respondeu: “Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Dt 8,3).” (Bíblia Sagrada Ave-Maria: Edição revista e ampliada. Edição Claretiana Editora Ave-Maria, Editora Ave-Maria, 2012. Versão Kindle.)

A primeira tentação coloca em xeque “quem eu sou”, quem Jesus é! Após 40 dias de jejum no deserto, certamente bate uma fominha, não é mesmo? O demônio aqui está mostrando a Jesus que ele é de carne e osso, de matéria, e matéria precisa de alimento. O pão entra como um símbolo do vínculo com a ilusão da matéria. E quando Jesus responde que “não só de pão vive o homem”, ele estava lembrando que não somos apenas corpo, mas espírito e o verdadeiro alimento espiritual vem do verbo e da manifestação do silêncio que ele encontra em Deus. É a matéria que está a serviço do poder espiritual, não o contrário. 

  • Tentação 2 (Quem DEUS É) Seduz pela força da religião exterior de aparências em detrimento do poder da espiritualidade interior do Deus que nos habita.

“O demônio transportou-o à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e disse-lhe: “Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; eles te protegerão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra” (Sl 90,11s). Disse-lhe Jesus: “Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16).”(Bíblia Sagrada Ave-Maria: Edição revista e ampliada. Edição Claretiana Editora Ave-Maria, Editora Ave-Maria, 2012. Versão Kindle.)

A segunda tentação coloca em xeque “Quem Deus é”. Na cidade Santa (Jerusalém), no ponto mais alto (o Templo), o “demônio” usa a religião para o exercício de um poder temporal. Porque se ele se jogasse de lá e os anjos o salvassem, todo mundo ia acreditar que ele era o filho de Deus, e ele teria o poder. Mas um poder ilusório, que acaba, porque é o poder da matéria, da estrutura religiosa. Por isso Jesus não se abala e diz que não lhe interessa ser venerado à força pelas pessoas. 

  • Tentação 3 (O que EU devo FAZER em DEUS)Tenta corromper o propósito espiritual com o pseudo-poder temporal.

“O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe: “Eu te darei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares”. Respondeu-lhe Jesus: “Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele servirás (Dt 6,13).” (Bíblia Sagrada Ave-Maria: Edição revista e ampliada. Edição Claretiana Editora Ave-Maria, Editora Ave-Maria, 2012. Versão Kindle.)

A terceira tentação tem a ver com propósito e com “O que EU devo FAZER em DEUS”. Ao receber a oferta de todos os reinos, Jesus responde que não vai corromper seu propósito para se colocar num topo de um reino que é passageiro. Porque “Eu moro dentro de Deus que mora dentro de mim”. 

Então vemos que a grande ilusão quer nos confundir quanto a: Quem eu sou; Quem Deus é e O que Eu devo FAZER em DEUS. A grande tentação também é parte de um ciclo iniciático.

E todos os ciclos iniciático são compostos de três momentos: 

  • Tentação um convite à grande ilusão, a estagnação ou retrocesso na configuração consciencial. A tentação vai gerar uma confusão na mente. É como se fosse a entrada numa caverna profunda. E se a mente está confusa, ela se fecha em si mesma, e não se abre para a realidade de que “eu e o Todo somos um”. Quem nunca?
  • Iniciação – É uma sequência de eventos e conhecimentos assimilados que nos levam a uma nova configuração de consciência com um objetivo evolutivo. Traz clareza e compreensão sobre a identidade e pertencimento. Toda vez que passamos por um processo iniciático, se expande a consciência e temos um pouco mais de posse do conhecimento. Logo encontramos e definimos com mais precisão “o que eu sou e o que eu devo fazer”.
  • Realização É o novo estado que nos leva a realização de um projeto interdimensional, canalizado a partir da nova configuração consciencial. É a canalização do poder cósmico em nós. É quando entramos no Flow.

Todo iniciado realiza com mais força a consciência cósmica em si. Jesus é tentado no deserto e reafirma seu estado de saber com a realidade única essencial. A partir disso ele parte para a realização e busca seus primeiros discípulos, como explica Yogananda: 

“Quando grandes mestres vêm à Terra, trazem consigo um grupo seleto de adiantados discípulos de vidas passadas para que os ajudem em sua missão e para que possam promover ou concluir o preparo desses discípulos para a libertação. (YOGANANDA, Paramahansa. A Segunda Vinda de Cristo, A Ressurreição do Cristo Interior. Comentário Revelador dos Ensinamentos Originais de Jesus. Vol. I. Editora Self, 2017, pág. 203-204.)

O conteúdo desse artigo é parte do curso aberto Yeshua – Nosso Cristo Planetário Revelado, com aulas todas as às quartas-feiras, às 20h, pelo YouTube do Círculo ou aqui no site. 


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