Qual ser humano queremos para a Nova Terra?

Dia Internacional Contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia

Vamos falar sobre homofobia? Em um sentido amplo somos todos seres humanos iguais, mas, na prática, não é bem assim. Felizmente, o mundo já está muito melhor. Falamos mais abertamente sobre muitos assuntos, o que contribui para reduzir a intolerância, o preconceito e combater a ignorância, porém, ainda não podemos dizer que vivemos em uma sociedade de forma tranquila para sermos felizes do jeitinho que somos. Quantas vezes você ouviu o termo “viadinho” referindo-se pejorativamente a alguém, ou “cada um faz o que quer mas meu filho não” ou até mesmo “não tenho preconceito, até tenho amigos que são”, como se fossemos um ser à margem da sociedade?

Este 17 de maio é o Dia Internacional Contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia. É apenas mais uma data, mas porque ela é tão importante? Seu objetivo central é a conscientização dos direitos LGBTQI+, a fim de combater a violência, discriminação e a repressão desta população. A data se refere ao ano de 1990, quando a Organização Mundial da Saúde – OMS retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças.

Talvez, para você, que não vivencia o preconceito contra a sua sexualidade, seja difícil entender a totalidade desta data; e mesmo que não tenha preconceito, nunca saberá como é estar na pele de alguém que assume a sua real identidade, que foge à norma, e se arrisca perante à sociedade.

Estou aqui hoje não como historiadora, não como bruxa, nem como profissional, mas como pessoa: uma pessoa que entende na pele o que é ser homossexual em uma sociedade tão conservadora e machista como a nossa. Gostaria de lembrar aqui que, nem de longe, sofri tudo o que muitos conhecidos e amigos sofreram. A minha experiência não é igual a de nenhum outro. Afinal, ninguém está no mesmo caldeirão, eu tenho as minhas experiências ruins, mas jamais vou dizer que elas foram melhores ou piores do que a de muitos irmãos LGBTQI+.

Eu entendo que todas essas letrinhas causam uma impressão de separatividade, “nossa, quantos nomes, pra que dificultar tanto, é todo mundo igual”…. na verdade, não somos não. Se todos fossem tratados realmente de forma igualitária, com respeito e amor, não precisaríamos explicar em letrinhas separadas o quanto o ser humano é único em suas individualidades. Você não pode dizer que a sua liberdade de andar na rua com seu companheiro(a), estando num relacionamento heterossexual, é igual ao de um relacionamento homossexual. Eu já fui ameaçada na rua apenas por andar de mãos dadas – e sim, tenho medo –. Nunca sofri agressão física, mas as estatísticas provam que muitos sim. O Brasil é um dos países que mais mata por homofobia, como podemos ver nos dados do site Congresso em Foco (2022):

“Em 2021, o Brasil registrou 300 ocorrências de mortes violentas de pessoas LGBT+, um aumento de 8% em relação a 2020. Com um total de 276 homicídios e 24 suicídios, o país teve uma morte a cada 29 horas.
O relatório elaborado pelo Grupo Gay da Bahia aponta que 35% dos casos foram registrados na região Nordeste, seguida do Sudeste com 33%. O estado de São Paulo teve o maior número de mortes, totalizando 42. Bahia (32) e Minas Gerais (27) fecham o triste pódio. Roraima foi o único estado que não registrou nenhum tipo de ocorrência.
O maior número de casos ocorreu com homens homossexuais, com 153 ocorrências (51%). Em seguida, as travestis e transexuais com 110 casos (36,67%), lésbicas com 12 casos (4%), bissexuais e homens trans 4 casos (1,33%), uma ocorrência de pessoa não binária e um heterossexual, este último confundido com um gay.”
(https://congressoemfoco.uol.com.br/area/pais/brasil-e-o-pais-com-maior-numero-de-pessoas-lgbt-assassinadas/)

Eu desejo que no futuro possamos viver num mundo em que não seja necessário separar as pessoas por siglas. Porém, ainda hoje, vivemos numa sociedade em que a separatividade nesse sentido é necessária. Por que? Porque eu tenho a consciência de que eu, uma mulher lésbica, que me identifico com a aparência feminina – ainda que eu sofra preconceitos e olhares tortos – jamais vou sofrer o mesmo preconceito que uma mulher ou um homem trans sofre, por exemplo. São infinitas realidades que estão presentes em cada uma das letras que compõem a sigla da diversidade. Por isso, mesmo no local de fala LGBTQI+, jamais vou estar na pele de outras pessoas diferentes de mim.

Mediante tudo isso, gostaria apenas de deixar uma mensagem e contribuir para a energia do pedido urgente de paz entre os povos, neste dia: “Faça amor, não faça guerra!” .

As guerras não são apenas lançamentos de mísseis e massacres, as guerras começam em nossas mentes e corações quando não respeitamos nossos irmãos com amor e acolhimento desde o nosso bom dia. Afinal, somos todos incríveis, humanos, maravilhosos e temos muito a contribuir, independentemente de gênero, orientação sexual, cor, religião ou classe social!

Abraços Fraternos,
Bruxilds Juliana Rissardi

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por Juliana Rissardi
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