O dar e tomar segundo a lei sistêmica

Equilíbrio é o dar e tomar.

Aqui vamos falar sobre o “dar e tomar”, e não o “dar para receber”. Os ensinamentos de Bert Hellinger mostram o que é essencial para a vida e, dentro do essencial, está o amor. Mas o amor pode ser interpretado de várias formas e até hoje não temos uma definição do que vem a ser o amor. Muitos poetas tentaram, e vários filósofos percorreram o tema, mas a verdade é que a definição desta palavra sempre vem a partir do modo que alguém interpreta a vida. Que força é essa que todos sentimos e experimentamos, mas não conseguimos definir?

Aqui voltamos ao Hellinger, que traz, sob a visão sistêmica e de seus longos 94 anos de vida: As Três Leis do Amor, ou As Três Ordens do Amor:

1- Hierarquia;

2- Pertencimento;

3- Equilíbrio.

Falando sobre equilíbrio, ele é o dar e tomar. Ocorre que comumente entendemos isso dentro de uma razão lógica: eu ganho 10, eu devolvo 10. Exemplo: quem não se lembra da avó ou da mãe dizendo que quando pedimos uma xícara de açúcar emprestada para o vizinho nunca a devolvemos vazia, mas com algo dentro? Veja que conhecimento esse exemplo carrega. Aqui fazemos o mesmo raciocínio: se eu ganho 10, eu devolvo 10. Ou seja, se recebi a xícara de açúcar, o melhor a se fazer é devolvê-la com um pedaço do bolo que fiz com açúcar.

Vamos falar sobre expectativas. Será que o vizinho emprestou a xícara de açúcar esperando receber um pedaço do bolo? Talvez sim, provavelmente não, porque é apenas uma xícara de açúcar e isso não tem uma representatividade tão grande. Agora, peguemos o exemplo e levemos para algo maior, o amor.

Vamos usar como referência nossos pais – porque todo mundo tem pais, independente da condição, se você existe é porque um homem (pai) e uma mulher (mãe) te geraram. Os pais nos dão o máximo do amor que eles têm, perceba que é o que eles têm para dar. Todo mundo só pode dar aquilo que tem. Então, aqui começa o raciocínio do dar e tomar.

Nossos pais nos dão e a gente, na maioria das vezes, tenta retribuir, querendo devolver ou, até mesmo, assumindo o papel de pais dos nossos pais. Aqui está o pulo do gato, não é dar e esperar a volta, não é dar e receber, é dar e tomar. Eles dão tudo aquilo que têm e nós devemos tomar tudo isso, no sentido de retirar da força deles a força para dar continuidade à vida. O verdadeiro tomar não comporta exigências.

O ato de dar é relativamente fácil, porque existe algum lugar de nós que se sente superior ao dar. Se estou suprindo a necessidade de alguém, isso me faz bem, faz com que eu me sinta grande. Ao passo que se eu tomo de alguém, eu me confesso carente. A realidade é que em muitos momentos de nossa vida estamos numa posição carente. Quando nascemos carecemos de tudo, pois não conseguimos fazer nada sozinhos, vamos crescendo e adquirindo força para cada coisa: aprendemos a tomar banho, a comer sem ajuda, a falar, manifestarmos o que pensamos, etc… Assim é a criança. E só nos tornamos, efetivamente, adultos quando tomamos essa força da primeira e segunda infância.

Nas relações adultas é importante que cada pessoa, de algum modo, possa tomar da outra. Essa é a compensação mais importante. Não é preciso que ambas deem na mesma medida, mas que tomem para si na mesma medida. O ato de tomar reciprocamente é o mais difícil. Ele une mais profundamente, pois ambos estão na posição de quem necessita. E isso une.

Fernanda Andretta 

2 respostas

  1. Obrigada, Fefa, por este artigo maravilhoso, faz uma diferença enorme em minha vida ressignificar esses papéis sistêmicos e a compreensão de dar e tomar como forma de amor e equilíbrio. 🥰🤗

    1. Queridona, que delícia podermos caminhar juntas nesse processo que também é o meu!!!

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