Filosofia não é “cult”

por Bruna Mariano

Meu primeiro contato #oficial com a filosofia foi no ensino médio, época da vida em que todos ali não poderiam ligar menos para o assunto, e eu não era diferente. Era apenas mais uma aula a que eu teria que ‘sobreviver’.

Era meio brega “pensar sobre a vida”, a frase “ih, filosofou” era um deboche. Dentro da minha cabeça eu já pensava sobre várias dessas coisas ‘da vida’, só não externalizava pra não ser zoada… e também não tinha ideia que esses pensamentos poderiam ser filosóficos “de um jeito bom”.

“Filosofar” era coisa de gente “cult”, aquelas pessoas que agiam, vestiam e falavam meio estranho, das quais era recomendado manter distância para não ser pego de surpresa por uma pergunta filosófica. E não tinha meio termo, ou você era “cult” ou era “cool”.

Graças a Alah, Jesus, Buda e Krishna a maturidade vem, os tempos mudam e eis que é possível encontrar uma galera que gosta de pensar, de ‘filosofar’, mas que também dá pra jurar que é doidinho da cachola, de tão engraçado e divertido que é conversar com essa gente.

Já se pegou entrando numa conversa tipo papo-cabeça que de alguma forma inesperada, acaba em piadas escatológicas? Não tem nada de cult nisso! Como foi que isso aconteceu? Nunca saberemos, mas estamos todos pensando na vida e gargalhando, juntos, e é isso que importa agora.

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