Largue suas muletas, eles disseram 

por Bruna Mariano

Sabemos que temos algumas muletas emocionais, que não necessariamente nos ajudam, mas que nos fazem dependentes delas…e quantas vezes já ouvimos (às vezes de nós mesmos) que devíamos largar ela: “isso não te faz bem, te prende, te restringe, você devia abandonar esse vício”, e levante a mão quem mesmo sabendo disso, não se viu usando-a de novo logo depois.

É difícil largar algo no qual você se sente apoiado, seja o que for, bom ou ruim. Minha sugestão (pra mim mesma, inclusive) é: não tire. Não largue, não pare, não abandone. Sim. 

Explico: no lugar disso, pense em adicionar. Se a muleta é algo em que nos apoiamos, o fazemos por achar que não teremos segurança e equilíbrio sem ela. Então, encontre e desenvolva outros possíveis pontos de apoio.

Quando você usa a muleta? Quando sente medo? Procure o que te fortalece. O que te faria sentir mais segura, mais confiante? Desenvolva isso. 

Ou usa quando sente que não dará conta? Procure ajuda, peça apoio, se organize, respire. Quebre o problema em partes, crie uma sequência e vá passo a passo, sempre de olho apenas no próximo passo.

A muleta representa apenas um ponto de apoio. Se puder respirar, acalmar o coração diante desse medo e adicionar outros pontos de apoio, perceberá que, aos poucos, sua coluna se endireita, ganha firmeza e a confiança de andar esticada, sabendo que o verdadeiro pilar estrutural do seu ser está ali dentro. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Relacionados

No episódio com Felipe Savietto, o Café do Chico – Conversas da Alma ganhou o tom das travessias que não acontecem apenas no mapa. Psicólogo e mochileiro por escolha, Felipe trouxe uma conversa sobre deslocamento, identidade, escuta e coragem — dessas que não cabem num roteiro turístico, porque falam de jornadas interiores.
Algumas conversas não acontecem apenas entre duas pessoas. Elas parecem atravessadas por algo maior — um campo de sentido, uma inteligência invisível, uma espécie de costura fina entre destino, propósito e serviço. O episódio do Café do Chico com Marcial Conte Jr., editor executivo da Citadel Grupo Editorial, teve exatamente esse sabor.
Há pessoas que trabalham com criatividade. E há pessoas que são atravessadas por ela. No episódio com Silvia Arone, o Café do Chico – Conversas da Alma revelou exatamente isso: a criatividade não como adereço de mercado, nem como técnica de inovação, mas como uma força viva, quase mediúnica, capaz de reposicionar uma existência inteira.