
Eu estava em Zurique, na Suíça, por ocasião do Congresso Internacional de Psicologia Analítica e Junguiana. Um evento especial: celebrava os 150 anos do nascimento de Carl Gustav Jung. Analistas, estudiosos, gente do mundo inteiro reunida para pensar a psique humana — e, claro, para visitar os lugares onde Jung viveu e trabalhou.
Entre os passeios oficiais do congresso estava a visita à casa onde Jung morou e também atendeu seus pacientes. Sim, Jung já fazia home office muito antes de isso virar moda. Conhecemos seu escritório, sua biblioteca particular e, por fim, uma pequena sala onde ele realizava os atendimentos clínicos.
Era um espaço curioso. Pouca luz, um abajur discreto, umas janelinhas pequenas, livros por todos os lados. Um ambiente que parecia cuidadosamente pensado para favorecer o encontro com o inconsciente. Ali, Jung analisava sonhos, escutava símbolos e atravessava mistérios alheios — e, imagino, os seus próprios.
Foi então que algo me chamou atenção. À direita da sala havia uma grande estante de livros. No nela, um “buraco”. Uma espécie de nicho coberto por uma pequena cortina. Confesso que minha mente brasileira funcionou rápido: pensei se alguém passava um café por ali, um espresso suíço estratégico para o analista não abandonar a caverna.

Perguntei à guia o que era aquela cortininha. Ela respondeu com a maior naturalidade do mundo: atrás dela havia um quadro com uma fotografia do rosto do homem do Sudário de Turim. Jung mantinha aquela imagem ali porque, de tempos em tempos, quando sentia necessidade, abria a cortina. Ele dizia que daquela imagem emanava uma energia que o revigorava para os desafios do cotidiano.
Guardei isso.
Algum tempo depois, já de volta à vida normal, eu estava desenhando a marca do Evangelho Metafísico. Tinha feito uma proposta inicial, estava olhando cores de tendência, essas coisas que a gente faz quando quer ter certeza de que está “atualizado”. Mas algo não fechava.
Até que, no banho — lugar oficialmente reconhecido como espaço de revelações exoconscientes — fechei os olhos e fui parar diretamente naquela sala. Na casa de Jung. Diante daquela estante. Daquela cortina.
Pensei: com tudo o que esse homem leu, estudou, produziu e vivenciou; com tudo o que ele atravessou da realidade psíquica e metafísica, para além da consciência comum; mesmo assim, ele mantinha ali aquele mistério. Aquele rosto. Foi aí que ficou claro para mim: é esse rosto que emana. Porque ele diz tudo sobre o que vamos viver no Evangelho Metafísico.

Esse não é um estudo qualquer. É uma jornada intimista de um ano. São quarenta semanas, intercalando aulas e exercícios espirituais, no Círculo Escola Filosófica. Um percurso para redescobrir, reviver e integrar o mistério na própria vida.
Difícil de explicar? Eu sei.
Mas algumas coisas a gente não precisa acreditar. A gente sabe.
As matrículas estão abertas.
E nós vamos começar.






